Acupuntura

A Acupuntura é um dos recursos da milenar medicina chinesa que utiliza finíssimas agulhas descartáveis aplicadas em pontos específicos situados sobre linhas energéticas que percorrem todo o corpo, denominadas Meridianos.
Seus efeitos são baseados na observação dos movimentos naturais entre pólos opostos, chamados pelos chineses de yin e yang, onde sua alternância promove o equilíbrio dinâmico, gerando a harmonia entre as diferentes forças do universo.
Na filosofia oriental as doenças não são classificadas da mesma maneira que no ocidente. Os sinais e sintomas são agrupados em síndromes energéticas que revelam os padrões de desarmonia existentes entre as forças yin e yang.
Atualmente, a acupuntura é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como um instrumento importante para a promoção da saúde mundial.
 
Entrevista com o Dr. Carlos Nogueira Pérez (Cemetc-ESPANHA), desenvolvedor e difusor da Acupuntura Bioenergética, um enfoque científico na ancestral Medicina Chinesa.

O senhor realmente acha que o resgate do conhecimento do passado é essencial para a medicina do futuro?Certamente. O conhecimento médico tem estado parado por muito tempo porque a sabedoria da antiguidade foi, em grande parte, perdida durante os saques, incêndios e guerras que assolaram o mundo de então. O caso das bibliotecas de Alexandria e Pequim é paradigmático, mas assim eram as fogueiras inquisitoriais e a queima de livros de muitas das revoluções ideológicas posteriores, do nazismo ao comunismo. Tudo isso em grande parte acabou com os conhecimentos adquiridos. Só que o mesmo aconteceu há milênios no Oriente. É o caso dos conhecimentos adquiridos na civilização esplêndida que hoje é conhecida como a Época dos Imperadores Míticos que governaram a China entre 3500 e 4000 a.C.

Temos em boa medida que se um conhecimento era transmitido parcialmente de forma oral de geração em geração, tendo perdido suas bases científicas, acabaria se sustentando em uma mitologia capaz de explicá-lo. Hoje temos que redescobrir aqueles conhecimentos que não hesitavam em assegurar que energia e matéria são uma mesma coisa. Até algumas décadas atrás o que os orientais afirmaram há milênios não se conseguia entender. Mas hoje sabemos que os dois pilares que suportam a Medicina Tradicional Chinesa, a Lei dos Opostos e Complementares – ou Lei do Yin e Yang – e a Lei dos Cinco Movimentos podem ser explicados graças aos dois grandes princípios da Física Quântica: a Relatividade e a Interdependência.

Em suma, tivemos que esperar até o século XX para compreender que aquilo que é afirmado pela Medicina Tradicional Chinesa se sustenta nos conhecimentos da física moderna, a Física Quântica. Que o que se acreditava um corpo doutrinal de caráter meramente filosófico e isento de toda base científica é apoiada nos conhecimentos mais modernos, de vanguarda. É por isso que a Medicina Tradicional Chinesa não conseguiu até recentemente entrar no contexto acadêmico ocidental. Felizmente, ainda que seja de maneira tímida, hoje já tem o apoio de muitos médicos e cada vez mais universidades, que como quase sempre, estão à frente da legislação.

Não cabe agora a menor dúvida de que matéria e energia são uma mesma coisa em diferentes estados de manifestação. E que só é possível fazer uma ligação química através de um aporte energético que permita ao elétron o salto orbital.

Finalmente, temos que explicar o significado dos conceitos empíricos das medicinas “vitalistas” para que possam integrar-se no contexto acadêmico-científico e descartar toda a parafernália ocultista e oportunista que distorce e mutila as medicinas tradicionais, quando então elas terão uma plena compreensão científica. Algo diferente seria especular sobre a origem desses conhecimentos assombrosos, de modo que neste momento nos conformamos em resgatá-los.

A abordagem bioenergética supõe admitir que a bioquímica e a fisiologia não estão na origem da doença e que isso é algo que há milhares de anos já se sabia?

Exatamente. No Ocidente nós procuramos a origem das doenças na bioquímica mas ela não está ali por uma razão muito simples: não se produz nenhuma ligação química na ausência de energia. Ninguém se injeta testosterona na veia quando está com sua amada, nem adrenalina quando está em conquista ou em alerta. Os campos energéticos de tipo emocional são os que interagem produzindo as reações que todos conhecemos. Não há química sem energia. É a energia que induz a ligação, que produz a química. É imprescindível, pois uma determinada quantidade de energia para a formação de moléculas, proteínas, açúcares e, portanto, as membranas de células, tecidos, órgãos, etc.

Nem mais, nem menos. As funções bioquímicas estarão, portanto, corretas se os impulsos energéticos que promovem as ligações estiverem corretos. Mas se a energia se desarmoniza, as funções bioquímicas também se desarmonizam e o processo, se persistir, pode levar ao aparecimento da doença. Por conseguinte é necessário compreender, do ponto de vista estritamente científico, o que são os chamados “canais de acupuntura”, o “halo energético” ou os “reservatórios energéticos” que permitem manter os processos biológicos em caso de falta de aportes ou gasto excessivo, entre muitos outros conceitos que, pela linguagem poética utilizada pelos orientais, não foram compreendidos.

Qual seria a adaptação desses conhecimentos para o Ocidente e sua generalização?

Se as pessoas envolvidas na saúde soubessem que o ser humano é um ser eminentemente energético, atuariam diretamente na energia. Teriam assim a possibilidade de tratar o paciente na fase prodrômica (aparecimento dos primeiros sintomas) e, mais importante, parar a progressão da doença para não passar a estágios de pior prognóstico e tratamento. Existem dezenas de sinais clínicos que não envolvem alterações bioquímicas, morfológicas e funcionais em um estágio inicial, mas que acabarão se manifestando se não aumentarmos a capacidade de autocura do corpo, além de, quando necessário, atuar terapeuticamente. O organismo está cheio de “sinos de alarme” na forma de dor, fadiga, sudorese, sensações distérmicas, apetite, sede, mudança de caráter, espasmos musculares, secura ou umidade excessiva, depressão, irritabilidade…

O especialista bioenergético sabe interpretar estes sinais englobando-os em uma determinada síndrome, geralmente através da anamnese e das biomedições, para depois dar uma resposta adequada com as técnicas bioenergéticas. A maioria dos diagnósticos clínicos ocidentais não alcança estes estágios iniciais da doença, uma vez que nem as análises e nem as várias provas de imagem (MRI, CT, etc.) as detectam. É nessa fase subclínica e prodrômica que mais pode acrescentar a Medicina Energética.

Dê-nos um exemplo

Tomemos o caso de uma cefaléia crônica. Para a medicina ocidental, uma vez excluída uma possível causa obstrutiva, neoformativa ou traumática, o único recurso são os medicamentos analgésicos que inibem ou eliminam a dor. Para um bioenergético – um acupuntor, por exemplo – como a cefaléia é um sinal clínico que pode ser comum a várias síndromes ele deve fazer em primeiro lugar um diagnóstico diferencial baseando-se na biomedição e no confronto sintomático a fim de determinar a síndrome específica e acabar com a causa raiz. Se a cefaléia for acompanhada de irritabilidade, insônia, vermelhidão dos olhos, espasmo muscular, etc, se enquadraria em uma síndrome chamada Plenitude do Fígado. Mas se a cefaléia se apresenta com fadiga, alterações dermatológicas, freqüentes afecções das vias respiratórias, etc.., se enquadraria em uma Síndrome de Insuficiência de Pulmão. E se for acompanhada de gastralgia e aumentar em períodos interpandriales com abundante meteorismo podem estar relacionados com uma Plenitude de Estômago. Então, uma vez regulado o organismo, com as biomedições na mão podemos agir de uma maneira ou outra, e evitar que a situação chegue a tornar-se crônica.

Hoje existem modernos equipamentos informatizados de biomedição mas sabemos que o senhor é cético sobre seu funcionamento. Por quê?

Atualmente se estão usando vários dispositivos, alguns altamente sofisticados e precisos como os vários tipos de Riodorakus, o Quantum SCIO, a BIMET, a MORA, QUANTEC… e mais continuam a aparecer. Muitos destes biomedidores também incorporam tratamentos com eletroacupuntura, varreduras frequenciais, ressonâncias eletromagnéticas, emissões bioelétricas ressonantes com cada órgão, etc. Mas está constatado que alguns não reproduzem o mesmo diagnóstico se a mesma pessoa se submete à verificação em duas vezes seguidas. Por outro lado, a experiência me diz que em outras ocasiões não são utilizados de forma adequada e, portanto, não se tornam tão eficazes como deveriam.

Além disso, os efeitos positivos se multiplicam exponencialmente quando anteriormente o paciente faz uma regulação da energia com acupuntura. Em suma, isso é essencial para regular e harmonizar a energia como um protocolo prévio e inevitável antes de qualquer tratamento de recuperação da saúde.

Por que dá tanta importância em fazer uma “regulação energética” como um passo prévio para qualquer tratamento?

A regulação energética tem dois grandes objetivos. O primeiro tem a ver com a capacidade de autocura que todos os seres vivos possuem. Em alguns casos isso é excepcionalmente claro. No caso das lagartixas que quando perdem as suas caudas são capazes de fazê-la crescer de novo, e outro sobre a estrela do mar que quando perde um braço pode voltar a produzi-lo. Bem, ao reequilibrar a energia do corpo potencializamos as capacidades inerentes a todo ser vivo, conseguindo um efeito benéfico que, em cascata, se estende ao nível bioquímico, funcional e orgânico e que pode levar à remissão – drástica ou gradual – dos sintomas .

Mas acima de tudo, e este é o mais importante, serve para prevenir a doença, evitando sua manifestação. Antigamente os médicos chineses examinavam as pessoas que estavam sob sua competência com um diagnóstico completo do pulso e se ocupavam de regularizá-los energeticamente para evitar que adoecessem. Com isso, se o paciente mantinha saúde, ele cobrava seus honorários e se adoecessem, ele os perdia. Isso funcionava como o bom e velho ditado chinês: “mau médico é o que cura, bom médico é o que previne a doença”.

O segundo objetivo da regulação energética é o de facilitar a eficácia terapêutica dos procedimentos profissionais, no caso em que, como resultado de uma doença crônica e complexa, não se alcançou o objetivo de induzir a auto-reparação. Nesse caso, a regulação da energia abre caminho para uma posterior atuação conseguindo assim uma maior eficiência e menos sessões clínicas. Isto é verdadeiro mesmo em áreas tão ortodoxas como fisioterapia e cirurgia, já que está demonstrada uma maior hemostasia durante a intervenção e uma recuperação mais rápida.

É necessário ser acupuntor ou especialista em Medicina Tradicional Chinesa para realizar este processo de regulação de energia?

Em absoluto. Qualquer profissional de saúde tem acesso a essa abertura de portas que supõe a regulação da energia. Você aprende em poucas horas e todos os tipos de profissionais podem aplicar, tanto no campo da medicina ortodoxa como na erradamente considerada “heterodoxa” ou alternativa. Com a disponibilidade de dispositivos modernos, trata-se simplesmente de atuar sobre determinadas combinações de pontos em função dos resultados obtidos em gráficos ou parâmetros de medição.

Neles estão refletidas todas as disfunções e desequilíbrios energéticos. Desequilíbrio lateralidade – que causa alterações na visão, olfato e no ouvido; desequilíbrios entre um órgão e sua víscera – causando disfunções hepatobiliares, nefrovesicais ou gastropancreáticas; desequilíbrio alto-baixo causando insônia, claudicação intermitente, extremidades inferiores frias, etc.; desequilíbrios de energia-sangue que causam estados de hiperatividade ou hipoatividade generalizadas… Tudo isso manejando critérios simples e de fácil aprendizagem.

No caso da asma alérgica, para dar um exemplo, podem se dar duas circunstâncias: um Déficit de Pulmão (predisposição congênita ou adquirida) – e uma Plenitude do Fígado como o agente desencadeante. Bem, se eu trato exclusivamente o Pulmão poderei aliviar os sintomas, mas se não eliminar o fator desencadeante o quadro pode reincidir e inclusive tornar-se crônico. Os sinais clínicos da Deficiência de Pulmão são claros tanto na fase aguda como na fase crônica; no entanto na fase subaguda ou latente não se detecta a Plenitude do Fígado se não for através de biomedições. Realizada periodicamente, a regulação energética evitará que se produza a referida plenitude e, portanto, não se desencadeará o quadro agudo, mesmo que o indivíduo tenha predisposição.

O que o senhor mantêm supõe mudar completamente a mentalidade do médico convencional que deveria centrar-se em prevenir mais do que curar e interromper o uso de sistemas complexos de tratamento para optar por outros muito mais simples.

É verdade. O que deve ser feito agora, sem esperar mais, é modificar os currículos das faculdades de medicina. Porque entre outras coisas nelas não se ensina hoje o sistema energético que rege as funções bioquímicas através do sistema nervoso e endócrino, quais desequilíbrios isso pode provocar e como prevenir e tratá-los quando eles ocorrerem. Olha, quando a energia do corpo se altera começam a aparecer uma série de sinais clínicos que os médicos convencionais são incapazes de encontrar e interpretar, porque não foram treinados em fazê-lo. São vinte mil quadros distintos que, para eles, não tem justificativa.

Alguns porque não são compreendidos sob o ponto de vista ocidental e outros porque são considerados irrelevantes (se alguém sua muito ou pouco, se as fezes são de uma forma ou de outra…). E não entender isto significa privar o paciente da mais importante das terapias: a preventiva. Então, hoje, vemos muitos pacientes que repetem ao médico uma e outra vez que eles se sentem mal e, como ele não encontra nada de anormal em seus métodos de diagnóstico, se limita a dizer-lhes que devem descansar ou os enviam a um psiquiatra. Embora muitas outras vezes se limitem a tentar aliviar com fármacos os sintomas mais evidentes. Quando a doença é muito mais facilmente tratada a esse nível e não deve se permitir que passe ao nível bioquímico. Porque uma vez que se altera a bioquímica (transaminases, colesterol, glicose…) também se altera a função e as lesões começam a aparecer em um nível orgânico.

Então, como é possível que o cirurgião seja considerado o número um, no topo do sistema de saúde, quando a utilização da cirurgia implica que o tratamento falhou?

Por outro lado, propomos as terapias com base na evolução da enfermidade. Quem cura na fase energética? O acupuntor. Quem, quando a função bioquímica está prejudicada? A farmácia, os químicos. Quem, quando a função está estropiada? O médico, o fisioterapeuta, a reabilitação… Quem, quando o órgão está doente? O cirurgião. Não temos, pois, que duvidar que a intervenção deste último, por mais importante e valiosa que seja, ainda representa uma falha do sistema global.

Olhe, em minha opinião, os “médicos de família” deveriam ser profissionais formados em Medicina Bioenergética – com conhecimento suficiente, portanto, da Acupuntura – e em Medicina Homeopática, porque ela é eficaz e sem efeitos colaterais adversos. E eles também deveriam proceder como se fazia na China antiga. Lá, no início de cada outono, o médico convocava seus pacientes, lhes tomava o pulso, fazia uma revisão clínica, lhes regulava energeticamente, davam-lhes conselhos sobre nutrição… e pronto. Só então, se ainda doentes, entrava em jogo a fitoterapia e a farmacopéia. Ou seja, o médico cobrava se a pessoa a seu cargo se mantivesse saudável e deixava de fazê-lo se ela adoecesse.

 

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